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"Corrida de Dois Mundos" - Uma corrida entre Fórmula 1 e Fórmula Indy

14/06/2017 - 12:44 - Corrida

por Flávio Figueiredo

Nesse ano, a semana do GP de Mônaco foi a mesma das 500 Milhas de Indianápolis. Não importa muito o lado do Atlântico para o qual você estivesse olhando agora, o fato é que esta é a melhor época do ano para os fãs do automobilismo. Afinal, as duas provas são as mais tradicionais do esporte a motor, ao lado das 24 Horas de Le Mans, mesmo que antagônicas: a pista de Monte Carlo é travada e estreita, enquanto o Indianapolis Motor Speedway é o suprassumo da velocidade.

E foi para elevar este clima de velocidade que a McLaren postou nas redes sociais um pôster ao melhor estilo das corridas de antigamente, juntando algo que apenas ela pode fazer este ano: os carros com os quais vai disputar, no mesmo 28 de maio, as duas icônicas corridas. Porém, mais do que isso, a arte trouxe inscrita uma frase que fez os fãs mais ligados à história sorrirem: 'The Race of Two Worlds'. Ou Corrida dos Dois Mundos, em português.

Uma disputa que colocou frente a frente os carros da Indy e da F1.

 

Quando o Mundial de Pilotos foi criado, seguindo a ‘F1’ da FIA, algo precisava ser feito para garantir um caráter ‘mundial’ ao certame. Como você sabe, resolveram colocar as 500 Milhas de Indianápolis, que já era super tradicional, no calendário. Na prática, poucos europeus se aventuraram na América, enquanto eram raros os norte-americanos com destaque no automobilismo europeu. Apesar de se tratar de corridas, no fim das contas, os estilos das provas eram muito diferentes, assim como os circuitos, resultando em carros também bem distintos entre si.

Mas, se ainda hoje paira o questionamento sobre qual categoria é a mais rápida, o mesmo acontecia naqueles tempos.

Paralelamente, no começo dos anos 1950, foi iniciada uma reforma para restaurar o Autodromo Nazionale di Monza. O projeto compreendeu a revitalização de uma ideia antiga do autódromo, que já tinha em seu projeto original um circuito oval (e que poderia até ser combinado ao traçado misto). Foi assim que surgiu a versão definitiva das grandes curvas inclinadas que seriam usadas por algumas vezes na F1, que são retratadas no filme 'Grand Prix' e, mesmo que não seja mais usadas, ainda estão lá.

Nessa época, o presidente do autódromo, e o manda-chuva do Automobile Club di Milano, Giuseppe Bacciagaluppi também tinha aquela mesma curiosidade sobre qual categoria seria a mais rápida, e sabia que o oval que estava  novinho era ideal para essa disputa. E, mais do que isso, ele havia percebido que os americanos sabiam, já naquela época, capitalizar melhor com uma disputa entre automóveis.

Assim, Bacciagaluppi convidou o presidente do Automóvel Clube dos EUA (United States Automobile Club, USAC) para estar presente na segunda edição do GP de Itália no então novo Monza, em 1956. Rapidamente os dois executivos entraram em acordo, percebendo que uma prova oval europeia seria o melhor dos dois mundos, atraindo grandes pilotos da Indy e da F1.

Coube ao Automóvel Clube da Itália o trabalho de tornar esse evento possível, enquanto os times americanos se empolgaram com a possibilidade. Assim, a data da primeira prova, chamada de 500 Milhas de Monza (500 Miglia di Monza, em italiano), mas que entrou para a história como a Corrida de Dois Mundos ou Monzanapolis, foi marcada: 23 de junho de 1957.

Para dizer a verdade, dos três nomes, Monzanapolis é o que mais se adequa. Afinal, ficou decidido que apenas o circuito oval seria utilizado, num percurso anti-horário e com largada em movimento, tal qual manda o script americano. Até mesmo o regulamento técnico dos carros seguiu o da USAC, com motores de 4,2 L com aspiração normal e 2,8 L com compressor. Por fim, a prova teria 500 Milhas como em Indianápolis, a diferença é que seriam disputadas três baterias de 63 voltas, com uma hora de pausa entre elas.

Dez carros e pilotos atravessaram o oceano naquele mês de junho, incluindo nomes consagrados nos EUA como Tony Bettenhausen, Troy Ruttman e Jimmy Bryan. Já os grandes roadsters de Indy eram fabricados por Kuzma, Kurtis Kraft e Watson, todos empurrados por motores Novi ou Offenhsauser (esse último, inclusive, continuaria a ser usados nas décadas seguintes, impulsionando, com o acréscimo de um turbo, a McLaren em suas vitórias em Indianápolis nos anos 1970).

O grande problema é que os times europeus preferiram boicotar o evento, oficialmente porque acreditavam que as curvas inclinadas não eram seguras. Eles tinham razão, sim, mas o fato é que os F1 daqueles tempos, com motores de 2,5 L, não seriam páreo aos modelos norte-americanos em um oval. Dessa forma, apenas Mario Bornigia, com uma Ferrari particular, e a equipe Maserati, com Jean Behra, representaram a F1. Além deles, o time escocês Ecurie Ecosse, que havia acabado de ganhar as 24 Horas de Le Mans, colocou três Jaguar D-Type, que eram carros de turismo, na pista.

Nos treinos, os modelos da Indy foram os dominantes, passando da barreira dos 177 mph (ou 284 km/h, 40 mph a mais que a velocidade da pole registrada nas 500 Milhas de Indianápolis daquele ano). Já o francês Behra andou com dois modelos da Maserati, o monoposto 250F e o turismo 450, mas ambos tiveram problemas com os pneus Firestone mais largos, e a equipe desistiu da disputa. O mesmo aconteceu com Bornigia e sua Ferrari.

Sobraram então os carros da USAC e os Jaguar D-Type, transformando a tal ‘Corrida dos Dois Mundos’ numa quase de um mundo só.

Com um Kuzma-Offy, Jimmy Bryan venceu as duas primeiras baterias, ficando em segundo na última. Dessa forma, frente a um público de cerca de 20 mil pessoas o americano foi decretado o vencedor, levando um prêmio de US$ 35 mil (equivalente, hoje, a US$ 305 mil, ou R$ 1 milhão).

A loucura em imagens

Na época, para promover a prova, foi produzido um vídeo mostrando não só os bastidores, pilotos e carros, mas também a loucura que era correr nas curvas inclinadas de Monza. O vídeo, mesmo que em péssima qualidade, sobreviveu até os dias atuais e está disponível no YouTube.

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Graças aos norte-americanos, a primeira 500 Milhas de Monza foi um verdadeiro sucesso. Com isso, e o bom prêmio em dinheiro, os times europeus se mostraram dispostos a participar da segunda edição, em 1958. A grande exceção quase foi Ferrari, mas o time acabou convencido pelo Automobile Club di Italia, que premiava a melhor equipe italiana na temporada e informou que a corrida no oval de Monza contaria para essa classificação.

Neste segundo ano vieram 12 carros dos EUA, das marcas Salih, Watson, Lesovsky, Kurtis Kraft, Phillips e Kuzma, todos com motores Offenhauser. Foram dez pilotos por americanos, incluindo nomes como A.J. Foyt e Jim Rathman, além dos retornos de Bryan e Ruttman. Os outros dois bólidos ficaram nas mãos de Juan Manuel Fangio e Maurice Tringnant.

Os times europeus também se armaram melhor. A Ecurie Ecosse adquiriu um carro esportivo da Lister, sendo drasticamente modificado e transformado em um monoposto com um motor Jaguar com seis cilindros em linha. Além disso, inscreveram dois D-Type da Jaguar, mas também modificados para se adaptarem melhor ao oval.

Já a Maserati construiu um carro especialmente para a ocasião, o 420M/58, que seguia o regulamento da USAC e foi pilotado por ninguém menos que Stirling Moss. O curioso é que a equipe foi patrocinada pela marca de sorvetes chamada Eldorado Ice Cream Company, sendo renomeada Eldorado Italia e disputando a corrida com carros brancos, e não vermelhos. Isso muito tempo antes da iniciativa virar moda na F1.

Ainda assim, eles não superaram o esforço dos compatriotas: a Ferrari colocou na pista nada menos que três carros totalmente diferentes. O primeiro foi um velho 375 F1, usado em 1950, mas agora com um motor V12 (dos carros esportivos) de 4,1L e renomeado 412MI. O segundo foi um 246 F1, usado no Mundial de Pilotos daquele ano, mas com um motor Dino de maior cilindrada e renomeado 296 MI. Por fim, o então recém-criado North American Racing Team (NART), fundado para promover a marca da Ferrari nos EUA, participou com um 375 Indy, com o qual a equipe italiana participou da prova em Indianápolis no ano de 1952.

Phil Hill, Mike Hawthorn e Luigi Musso foram os representantes da Ferrari em Monzanapolis.

Mais uma vez, a corrida foi dividida em três baterias, que foram amplamente dominadas pelos carros da Indy. De forma geral, apenas dois carros europeus conseguiram alguma coisa: o Maserati de Moss, que foi quarto e quinto nas duas primeiras baterias; e a Ferrari-Dino dividida entre Hill, Hawthorn e Musso, que ficou em terceiro na última parte.

No final, Rathmann venceu as três partes, sendo declarado o vencedor com o seu Watson-Offy.

O que ninguém sabia naquele momento é que a Corridas dos Dois Mundos nunca mais aconteceria. O Automóvel Clube milanês não conseguiu tirar um lucro com o evento e percebeu que não teria recursos para uma terceira edição, em 1959. O ano de 1960 seria o último do oval de Indianápolis como parte do Mundial de F1, com as categorias voltando a se aproximar alguns anos depois, mas com os europeus se aventurando do outro lado do Atlântico. Já as curvas inclinadas deixariam de ser utilizadas no GP da Itália em 1961.

O tempo passou. Até que, agora em 2017, a McLaren nos faz relembrar de Monzanapolis. O curioso é que Indianápolis, o templo norte-americano da velocidade, é um autódromo que hoje possui uma pista oval e um misto. Quem sabe a equipe inglesa não se encoraja para, de alguma forma, utilizar isso para colocar, lado a lado, o MCL32 da F1 e o DW12 da Indy em uma boa disputa para ver quem se sai melhor.

Sonhar não custa nada...

*Fonte: grandepremium.com - fotos de Gary Mason

# Para o Grande Prêmio da Europa, a cotação para vitória de Lewis Hamilton está em 1,909 em .

 

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