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De bem com a vida, Émerson Sheik comemora 19 anos como jogador profissional

22/09/2017 - 10:42 - Futebol

por Flávio Figueiredo

A infância difícil em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, não dava esperanças ao ajudante de pedreiro Márcio Passos de Albuquerque. O garoto de 18 anos de idade estava começando a “ficar velho” para o mundo do futebol e o sonho de ficar rico e famoso diminuía com o passar do tempo. O tempo que acabou sendo amigo de Márcio Emerson Passos.

Márcio Passos de Albuquerque e Márcio Émerson Passos são a mesma pessoa! Num ato de amor ao filho, Carmem Lúcia (mãe de Émerson), adulterou sua certidão de nascimento à fim de ver o sonho e a felicidade de seu filho. Com três anos a menos, o então, Márcio Émerson Passos ganhou espaço no futebol e viu sua carreira decolar.

 

São Paulo Futebol Clube:

Levado ao São Paulo pelo ex-lateral-direito Cláudio Guadagno, foi rapidamente aceito pelo clube após passar pela avaliação de Milton Cruz, ex-técnico da equipe sub-20.

Devido ao fato da idade (e nessa fase a diferença é muito grande), Émerson tinha clara vantagem física e técnica sobre os outros meninos, virou uma estrela das categorias de base. O garoto logo chamou a atenção da diretoria são paulina, que o enxergava como uma jóia, um jogador que além de títulos, poderia render muito dinheiro aos cofres tricolores.

“O Emerson se destacava muito mais que o Kaká. Claro, hoje, sabemos que aquilo acontecia também pela idade. O Kaká sempre foi um craque, mas não tinha a força do Emerson. Ele fazia toda a diferença na base, pegava a bola no meio de campo e parava dentro do gol. Era impressionante.”

A estreia pelo time principal não demorou à acontecer, dia 26 de setembro de 1998, aos 20 anos, Émerson entrou no lugar do centroavante Dodô no empate por 0 a 0 contra o Flamengo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, o técnico Paulo César Carpegiani decidiu promovê-lo ao grupo principal, mas para atuar improvisado na lateral-direita, função que nunca se adaptou. O time do São Paulo era formado por jogadores mais experientes, como Raí, Marcelinho Paraíba, Dodô e França, o que dificultava a vida de Émerson.

Quando foi escalado em sua função de origem não decepcionou, marcou dois gols: um na goleada por 5 a 1 sobre o Atlético-MG, no Morumbi, em 25 de julho de 1999, e outro na derrota por 3 a 2 para o Santos, na Vila Belmiro, três dias depois.

Devido ao “Caso Sandro Hiroshi” (o clube perdeu os três pontos de uma vitória sobre o Botafogo depois que ficou comprovada a falsificação nos documentos do atacante Sandro Hiroshi), e com o temor de receber outra punição, a diretoria Tricolor decidiu negociar Emerson com o Consadole Sapporo, do Japão.

Assim, em 2000, Emerson deixou o Brasil rumo ao futebol japonês. Ele se despediu do São Paulo com 19 jogos e dois gols marcados (sete vitórias, três empates e nove derrotas).

 

Futebol Japonês:

O Consadole Sapporo, era um time da 2ª divisão japonesa, com a ginga brasileira, Émerson não demorou para se adaptar, com uma média impressionante de quase 1 gol por partida, Émerson marcou 33 gols em 30 jogos e foi campeão, artilheiro e melhor jogador da segunda divisão japonesa em 2000.

No ano seguinte, atuou pelo Kawasaki Frontale, e a média melhorou, 19 gols em 18 partidas.

Em 2002, foi contratado pelo Urawa Red Diamonds, da 1ª divisão, lá virou ídolo. Ficou quatro anos e foi artilheiro do Campeonato Japonês de 2004, eleito por 3 vezes o Melhor segundo-atacante do Campeonato Japonês (2002, 2003, 2004), e Futebolista do Ano no Japão (2003).

Sua passagem pelo futebol japonês terminou em 2005, quando o xeque Jassim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, um dos 24 filhos do rei, viu um jogo de Emerson na televisão. Ele comprou os direitos econômicos do brasileiro e o colocou para jogar no Al-Sadd.

"Falo com muito carinho do povo japonês. Aqui cresci como atleta e como pessoa. Os seis anos que passei aqui foram os mais importantes para mim e levo isso comigo com orgulho. É um povo maravilhoso."

 

 

Al-Sadd:

No time do Qatar, Émerson se tornou amigo do xeque e além de um contrato milionário, o atacante ganhava carros e relógios Rolex a cada boa partida que fazia.

 

Rennes:

Em 2007 foi emprestado jogar na Europa. Mais precisamente no Rennes, da França. Um clube mediano onde poderia ser um trampolim para outro time grande do continente.

A negociação girou em torno de 4 e 5 milhões de euros. O acordo de Emerson com o xeque era que ele poderia voltar ao Qatar quando quisesse.

Os números de Émerson impressionava e a expectativa era gigante. Na época, a imprensa francesa noticiava, inclusive, que times como Lyon, Lille e Saint-Étienne estavam de olho nele. Sua estreia, contra o Lokomotiv Sofia, na Copa da UEFA, durou pouco mais de 12 minutos na vitória por 3 a 1.

No Campeonato Francês, o debute foi diante do Paris Saint-Germain, no Parque dos Príncipes, na 10ª rodada. Ele entrou em campo aos 43 minutos do segundo tempo na vaga de Sylvain Wiltord. Com pouco mais de quatro minutos para atuar (contando os acréscimos), não lhe restava muito tempo para apresentar o futebol que sabia.

Emerson somou ainda mais quatro apresentações, duas no Campeonato Francês e duas na Copa da UEFA.

Ao todo, Sheik acumulou 101 minutos em campos franceses e mesmo sem muitas chances, o clube francês conseguiu vendê-lo por um valor maior do que comprou: 7 milhões de euros foi o que o Al-Sadd gastou para trazê-lo de volta.

 

Retorno ao Al-Sadd:

Emerson retornou ainda em 2007 ao Al-Sadd, e permaneceu por lá por pouco mais de um ano.

Considerado no Oriente Médio como um dos melhores atacantes que já passaram por lá, Emerson fez fama e fortuna enquanto esteve no Qatar. Porém, após passar nove anos fora, Emerson decidiu rescindir contrato com seu clube e retornar ao Brasil.

"Fiquei quatro meses parado e decidi pagar minha multa de 5,8 milhões de dólares do próprio bolso. Na verdade, fiz um investimento em mim mesmo. Queria voltar ao Brasil, fazer um campeonato bom e depois dar outra porrada [um bom contrato] fora do país".

 

Flamengo:

Emerson, até então, desconhecido no Brasil, veio defender o clube com maior torcida no país, abrindo mão de ofertas milionárias, tanto do futebol japonês como do futebol qatariano.

O jogador foi bem recebido pelo grupo rubro-negro, que em sintonia com a torcida, o batizou carinhosamente de Sheik. Assim, em pouco tempo o jogador estava apto a estrear com a camisa rubro-negra. Em um treino na Gávea, ele disse que era rubro-negro de coração.

Em sua estreia pelo Flamengo, em uma partida contra o Fluminense, já na reta final da Taça Rio, Emerson marcou seu primeiro gol. Recuperando sua melhor forma física e destacando-se nos treinos, Emerson acabou conquistando a vaga de titular nas finais do Carioca de 2009.

No fim de agosto daquele ano, Sheik se reuniu com a diretoria rubro-negra pedindo para ser liberado ao Al Ain, do Emirados Árabes. Apesar disso, é considerado pelo próprio Flamengo como um dos campeões do Brasileirão daquele ano, sendo o 3º artilheiro do time da competição com sete gols marcados.

 

Al Ain:

Sua temporada no Al Ain foi curta, em sua estreia pelo clube, Emerson marcou dois gols e o time venceu nos pênaltis por 5–4 o time do Al-Ahli e conquistou o título da Supercopa dos Emirados Árabes. 

 

Fluminense:

No meio da temporada de 2010 Émerson acertou o seu retorno ao Brasil, dessa vez pelo Fluminense. Estreou com o pé direito, no empate diante do Botafogo e manteve uma média muito boa em seu início, foram sete gols em oito jogos com a camisa tricolor. 

Émerson estava em grande fase no Brasileirão daquele ano, até se lesionar. Voltou à tempo de jogar e ajudar o Fluminense com o gol que viria a dar o título do Campeonato Brasileiro para o Fluminense, contra o Guarani.

Porém, um caso inusitado, na noite do dia 20 de abril de 2011, fez Émerson ser afastado do clube. O presidente se irritou com o jogador que cantou um funk do maior rival, o Flamengo, no ônibus do Fluminense a caminho de uma decisão contra o Argentinos Juniors pela Libertadores.

"Não cantei o bonde do Flamengo. Eu cantei uma música que é hit no Rio de Janeiro, assim como outros jogadores e amigos também cantaram. Não teve nada de especial. A repercussão disso, aliás, não deveria ter sido tão grande".

Depois de anunciada sua dispensa, o elenco do time (que estava concentrado na Argentina para enfrentar o Argentino Juniors, pela Libertadores) foi ao seu quarto de hotel para prestar solidariedade.

 

Corinthians:

Émerson Sheik mal sabia que iria escrever um capítulo de tantas glórias no Corinthians e entrar para a história do clube paulista de uma forma tão enfática.

Logo no primeiro ano de clube, conquistou o Tricampeonato Brasileiro, ou seja, Émerson conquistou três Brasileiros seguidos por clubes diferentes, feito inédito no futebol brasileiro.

Émerson viveu grandes momentos no clube paulista, iniciou o ano de 2012 muito bem técnica e fisicamente. Foi considerado o destaque do primeiro jogo das semifinais da Libertadores 2012 entre Corinthians e Santos. Fez um golaço em plena Vila Belmiro, batendo cruzado no ângulo da entrada da área, e garantiu a vitória corintiana pelo placar mínimo.

Levou o clube à uma final inédita de Libertadores onde no primeiro jogo, no Estádio da Bombonera, em Buenos Aires, deu o passe para Romarinho fazer o gol de empate nos minutos finais do segundo tempo. No último jogo da final, no Pacaembu, entra para a história do clube marcando os dois gols da vitória corintiana sobre o Boca Juniors e do título inédito para o jogador e para o clube (onde se tornou um dos maiores ídolos). O primeiro gol foi marcado no início da segunda etapa, após Emerson receber passe de calcanhar de Danilo. No meio do segundo tempo Emerson rouba a bola da zaga do Boca Juniors, vence o zagueiro Caruzzo na corrida e toca na saída do goleiro. Depois da conquista, Emerson diria as seguintes palavras:

“Eu nasci e fui criado num lugar muito simples, e vi coisas que talvez muitos de vocês (jornalistas) não viram. Me perguntaram se tinha pressão, alguma coisa do tipo, de jogar na Bombonera (estádio do Boca Juniors, palco do jogo de ida da final). Cara, pressão é deitar na cama e ter medo de uma bala perdida atingir seu corpo. Jogar no estádio lotado com vocês, com bola e grama novas é um privilégio. É momento de desfrutar, não de sentir medo ou pressão!”

O título inédito da Libertadores deu a oportunidade do Corinthians disputar o Mundial no Japão, Émerson era o títular da equipe que ganhou do Chelsea por 1 a 0. Esse é o título mais importante da carreira de Sheik até o momento.

Com a chegada de Mano Menezes ao comando do Corinthians em 2014, Émerson foi perdendo espaço no time titular, e acabou sendo emprestado ao Botafogo pelo período de um ano.

 

Botafogo:

Em abril de 2014, chegou ao Botafogo e com apenas um mês no clube, Sheik virou a referência do time. Vestindo a camisa 7, ele se mostrou um líder dentro do grupo e apresentou uma média de gols mais que o dobro maior que a dos outros três principais atacantes (Ferreyra, Wallyson e Zeballos) do elenco alvinegro.

A imagem forte que fica de Émerson no Botafogo ocorreu no dia 17 de Setembro, na partida em que o Botafogo perdeu para o Bahia por 3 x 2, no Maracanã. Sheik levou um cartão vermelho dado pelo árbitro Igor Junior Benevenuto, aos 14 minutos do segundo tempo, após cometer uma falta no zagueiro Uelliton (ele foi o terceiro jogador do Botafogo que foi expulso neste jogo). Ao deixar o gramado do Maracanã, Emerson olhou para uma das câmeras, fez um sinal com o braço para o cameraman como quem diz "vem cá", e mostrou a sua irritação ao dizer, em alto e bom som, e olhando para a camera: “CBF, você é uma vergonha! Vergonha! Vergonha! Vergonha!”. Até então, ele era o destaque da equipe, já que tinha marcado os dois gols botafoguenses na partida: um de pênalti e um de cabeça. O árbitro da partida registrou na súmula que teria sofrido ofensas do jogador botafoguense

Émerson foi denunciado e suspenso por quatro jogos por ofensas ao árbitro.

 

Retorno ao Corinthians:

Émerson voltou no início de 2015 ao Corinthians. Em seu último dia, Émerson Sheik foi discreto, mas marcado por homenagens à sua passagem de quase quatro anos pelo clube alvinegro. Antes do jogo entre Corinthians e Internacional , recebeu uma placa de agradecimento pelos serviços prestados ao clube e foi reverenciado pela torcida e companheiros de elenco.

 

Retorno ao Flamengo:

Sheik teve boas atuações pelo clube, tanto que, até a 23ª rodada do Brasileirão, ele figurava na Seleção do Campeonato, eleita pelo jornal O Lance!.

Até a 29ª rodada daquele Campeonato, Sheik era líder de dribles certos. De acordo com o “Footstats”, ele tinha dado nada menos do que 21 “entortadas” nos rivais, até então. Além disso, segundo dados do " Espião Estatístico" do Globo Esporte, também até a 29ª rodada do Brasileirão, Sheik era o segundo maior causador de cartões para adversários, com 17 cartões (16 amarelos e 1 vermelho). Se considerada a média de cartões puxados por partida, Emerson era o líder, com 1,06 por partida. Seu último gol pelo Flamengo, foi na vitória fora de casa contra o Palestino do Chile por 0-1 pela Copa Sul Americana.

 

Ponte Preta:

Marcou seu primeiro gol na vitória da Ponte contra o Sol de América, pela Copa Sul Americana. Na 21ª rodada do Brasileirão, Émerson foi decisivo na vitória por 2x1 contra o Botafogo no Moisés Lucarelli. Marcou os dois gols da macaca, e o seu segundo gol foi uma pintura, acertando um chute de primeira de fora da área, sem chances de defesa para Jefferson.

 

Hoje, Émerson Sheik "se diverte" jogando o fino da bola, com uma mescla de carisma e personalidade forte, é considerado um jogador folclórico, onde não foge de perguntas difíceis e adora uma polêmica. É um jogador como tínhamos na década de 90, cada vez mais escassos nos dias de hoje, com suas entrevistas monótonas. Com Sheik, o "futebol raiz" ainda respira e esperamos que os novos jogadores se espelhem nesse exemplo para não deixar esse estilo morrer.

 

Veja os gols de Émerson Sheik no Corinthians:

 

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tabela

Campeonato Brasileiro Série A

Classificação Pontos
1 TIM 2 36
1 TIM 2 36
1 TIM 2 36
1 TIM 2 36

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