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Guga desabafa sobre corrupção no país

18/10/2017 - 15:59 - Tênis

por Flávio Figueiredo

Só recomeçando do zero. Esta é a solução do tricampeão de Roland Garros Gustavo Kuerten para resolver a corrupção no Brasil. Sem censura, o ídolo do esporte nacional trocou a fisionomia do "labrador humano" por uma seriedade incomum. Em entrevista ao GloboEsporte.com em Florianópolis, Guga fez duras críticas ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), à inexistência de um legado olímpico, e ainda comentou a prisão de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do COB, por suspeita de fraude na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada 2016.

Tivemos a Olimpíada há um ano, e o tema legado olímpico está em debate. No seu caso teve o projeto olímpico no tênis, que só durou um ano (de 2012 a 2013). Foi um momento de desilusão? Sou da ideia de que vale a pena tentar, pelo menos tomar a iniciativa para ver se dá certo. Claro que tem desilusão e frustração como agora. Poxa, Nuzman preso, o esporte todo com uma visibilidade…Tudo isso é triste, é ruim, é salgado, é decepcionante. Mas é assim. Presta atenção que é importante dizer isso... não causa surpresa. Parece que é fato comum. É o tamanho do absurdo, mas é a realidade. É evidente que se a pessoa quer fazer tudo isso que conseguimos fazer aqui, precisa estabelecer um projeto paralelo, autônomo, privado. Eu ainda imagino assim, provocar e quase que forçar e empurrar as instituições, organizações, no caso aqui, a Confederação de Tênis e federações a ir neste caminho.

"Não causa surpresa. Parece que é fato comum. É o tamanho do absurdo, mas é a realidade"

 

O COB precisa trabalhar junto agora, fazer diferente, mesmo sabendo ali dentro que as expectativas têm que ser muito baixas. Os episódios já demonstram que o raciocínio, a equação é ruim. A burocracia, o funcionamento desses órgãos, a dependência, a própria legislação promove a corrupção e a ilegalidade. Precisa ir lá na origem, desmontar tudo e começar. Aí sim dá para ter mais esperança, senão é contar com pequenos auxílios.

Neste ano, o ex-nadador Luiz Lima pediu demissão do cargo de secretário Nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, e contou sobre a dificuldade de trabalhar lá. Você já considerou atuar em um cargo político? Não, nunca. Ali eu ficaria limitado a situações que já são naturais dessa estrutura e, mesmo olhando para outra ótica com tudo montado. A imagem que estou costurando é muito maior do que o da Confederação. Não posso ficar preso a um cargo. Os agentes Guga, Thomaz Koch, Maria Esther transbordam a estrutura tênis, e precisam contribuir ainda em maior escala. Vejo isso de maneira muito clara e, por isso, nunca tive interesse.

Mas já chegaram a te convidar alguma vez? Convite informal já tive desde síndico a presidente. Hoje em dia, não é que o Nuzman, o COB, o secretário, o governador. Todo mundo está amarrado nestes meandros. Ou você faz com jeitinho, ou você faz muito mal, ou não faz. De fato, essas proporções institucionais do Brasil são inviáveis. Só que precisa botar o barco em pé. E aí acaba indo normalmente aos trancos e barrancos. Chamam (atleta) para ser diretor, síndico, e aí respondem que sim, porque têm que pagar as contas no fim de mês. Se ele está amarrado, tem dependência daquilo, começa a aumentar o risco da sobrevivência. A chance de dar a primeira deslizada é iminente. Para funcionar tem que deslizar. Ou o cara vai, frustra e volta. Ou o cara vai, fica e desliza. Não tem outro caminho.

O Nuzman foi preso na semana passada. Como você reagiu com a corrupção chegando a Olimpíada, a celebração máxima do esporte? A corrupção é uma praga mundial, acontece, mas tem que ser extremamente reduzida. É desde falar com o guarda para não multar porque vai sair rápido (com o carro). O sistema todo que funciona assim, movimentando através de favorecimento, licitações, processos que são falidos. Só funciona se for através de uma ilegalidade.

Falar de Nuzman, ou quem é preso, julgado, entramos no âmbito de fazer julgamento a pessoa. Não é só questão do Nuzman, o COB, é generalizado. Amanhã quem é o próximo? Agora vai ser o político, o empresário? Agora encaixou na nossa região, é mais sofrido, mais lamentável, mas é assim. Amanhã vai ser na cultura, na música.

"O Brasil está de pé ilegalmente. É hipócrita jogar pedra na cruz e falar que é 'fulano'"

O Brasil está de pé ilegalmente. É hipócrita jogar pedra na cruz e falar que é “fulano”. É claro que o cara é humano e pode sair (de lá), mas quem está lá dentro, quem conhece e entende essas sensações de estar lá dentro, de ter poder, de se sentir importante… Eu fui número 1 do mundo e deu para perceber que isso é tentador. Botar o pé no chão todos dias é fundamental. Quando envolve tudo isso, você fica se sentindo o maior de todos, com sobremesa para se lambuzar inteiro na ilegalidade. O cara ficar (honesto)? Ele desiste porque para, não anda. Ele não fica. É infindável o movimento. Que bom que já me passou o tempo de olhar mais pessoal esse problema, a figura, o nome. É pior porque é muito mais do que isso. Tem que ir lá na origem, na primeira peça. E realmente é começar do zero.

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